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          Viagem de férias 2008.

      Quem vai?       O roteiro       Como ir?       Hospedagem       Preparativos       A viagem       Custos       Dicas       Fotos       Considerações finais


Quem vai?

         Houve várias discussões e alguns convites (recusados porque as pessoas achavam que era muita indiada). Finalmente a equipe de viajantes ficou definida: minha esposa, minha filha menor (8 anos) e eu, mais uma colega de serviço.

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O roteiro

         Uma das tarefas mais difíceis que enfrentamos foi a definição da rota: quais cidades iríamos conhecer? Não havia tempo (nem dinheiro) para conhecer todo o Chile e toda a Argentina em vinte e poucos dias (nossas férias eram de apenas 25 dias). Assim, decidimos conhecer estes países, mais o Uruguai, em três ou quatro viagens. Nesta primeira viagem iríamos conhecer o norte da Argentina e o norte do Chile. A idéia era conhecermos a Cordilheira dos Andes, desertos, vulcões, geisers e o Oceano Pacífico, entre outras maravilhas do nosso continente. No final, decidimos que o nosso roteiro teria mais de 7.000 quilômetros e incluiria, pelo menos, as seguintes cidades:
Argentina (na ida) - Passo de Los Libres, Corrientes, Resistência, R.S.Peña, Salta, Jujuy e Susques.
Chile - San Pedro de Atacama, Calama, Antofagasta, Caldera, B.Inglesa, Copiapo, Vallenar, La Serena, Coquimbo, Liay Liay, San Felipe e Los Andes.
Argentina (na volta) - Mendoza, San Luis, Rio Quatro, San Francisco, Santa Fé e Paraná.
Uruguai (na volta) - Paysandu, Tacuarembó e Rivera.
Veja aqui o mapa da viagem. O trajeto que nós percorremos é o que está marcado em rocho.

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Como ir?

         Há várias opções de transporte para o roteiro escolhido. Escolhemos o automóvel porque a idéia é conhecer várias cidades e também fazer alguns passeios pelos arredores de algumas cidades, ou seja, a graça do passeio estará em admirar o trajeto e não em chegar a algum lugar. As datas estimadas para chegada nas cidades não necessitam, necessariamente, ser cumpridas. Há muita coisa interessante no trajeto que merece ser observada. Se em um local houver muita coisa interessante para fazer ou conhecer, poderemos ficar mais dias que o planejado.

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Hospedagem

         Para hospedagem, analisamos as seguintes opções: hotéis, hostels, pousadas e campings. Cada uma dessas opções apresentou vantagens e desvantagens.
   Hotéis
Pontos positivos: é só chegar e utilizar, confortáveis, são mais seguros; possuem maior infra-estrutura (refeições,passeios, lazer,...).
Pontos negativos: são mais caros, exigem reserva (implica em dia certo para chegar), exigem um adiantamento (geralmente não aceitam todos os cartões de crédito). Além disso, o maior problema neste caso é fornecer os dados do seu cartão de crédito para alguém que você não sabe se é confiável.
   Hostels
Pontos positivos: são mais baratos que hotéis e os hóspedes são mais aventureiros.
Pontos negativos: geralmente estão lotados, carecem de conforto (geralmente os quartos e banheiros são coletivos), as redes de hostels não possuem estabelecimentos filiados em todas as cidades (seria necessário filiar-se a mais de uma rede ou ir sem ser filiado) e alguns deles não aceitam crianças.
   Camping
Pontos positivos: custa pouco e geralmente tem vagas.
Pontos negativos: menor conforto e segurança.
   Conclusão
Reservar todos os hotéis ou hostels necessários à distância requer muita paciência, além de acarretar custos e riscos. Utilizar uma agência de viagens como intermediária também acarreta custos. Diante da situação, optamos pelo seguinte: estabelecemos um teto diário para ser gasto em hospedagem. Quando chegarmos a uma localidade, veremos os preços dos hotéis, caso ultrapassem o nosso teto, tentaremos hostels, pousadas, pensões,... Nossas três últimas opções são: camping, pagar um alto preço pela hospedagem e dirigir até a próxima cidade (afinal há três motoristas na equipe).

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Preparativos

         Automóvel para a viagem. Uma vez que iríamos de carro, decidi trocar o meu carro por um modelo mais novo e mais potente. Nos três meses que antecederam a viagem tive algumas despesas adicionais (além do seguro e emplacamento) com o carro: ele foi arrombado duas vezes; roubaram o estepe, roubaram o macaco, estragaram a porta do motorista,... Coisas do nosso mundo cruel.
         Carteira de Identidade atualizada. A primeira coisa que devemos fazer quando formos viajar para fora do país é providenciar a documentação. Para os países envolvidos nesta viagem não é necessário passaporte, basta a carteira de identidade atualizada (não pode ter mais que cinco anos). Assim, os três adultos atualizaram as suas carteiras de identidade e a criança fez a sua primeira carteira (que lindo).
         Permissão Internacional para Dirigir. O segundo documento que fizemos foi a Permissão Internacional para Dirigir. Em Porto Alegre, a Permissão Internacional para Dirigir é feita nos mesmos locais em que é feita a carteira de motorista. Ela tem a mesma validade da carteira de motorista e não é obrigatória para os países em questão (bastaria apresentar a carteira de motorista e identidade brasileiras). Este documento, no entando, será muito útil no caso de nos envolvermos em algum acidente de trânsito. Caso ele (documento) não exista, deverá ser providenciada, na hora, uma tradução da carteira de motorista para a língua do país em que houve o acidente. Quem faz isso é um tradutor juramentado. Imaginem quanto é que isso custaria?
         Certificado Internacional de Vacinação. A questão da necessidade ou não da vacina contra a febre amarela gerou dúvidas (apesar das várias horas gastas em pesquisa no google). Assim, enviamos emails questionando a necessidade de vacinas para as embaixadas do Chile e Argentina. A embaixada do Chile foi muito prestativa dirimindo esta e outras dúvidas; a embaixada da Argentina também. De acordo com o email recebido da Embaixada chilena, não são exigidas vacinas para turistas oriundos do Rio Grande do Sul (nosso caso). Há, no entanto, exigências para alguns estados brasileiros. Segundo a embaixada da Argentina, para brasileiros, não são necessárias vacinas. Como havia tempo antes da viagem, fomos a um posto de saúde e tomamos a vacina contra a febre amarela (vale por 10 anos). Recebemos, cada um de nós, uma Caderneta de Vacinação que depois foi utilizada para a obtenção do Certificado Internacional de Vacinação. Fizemos a vacina contra a febre amarela no Posto de Saúde Modelo (na avenida joão Pessoa) e o Certificado Internacional de Vacinação no Cais do Porto. Nos dois locais fomos muito bem atendidos e nenhuma taxa foi cobrada. Eu aproveitei e fiz também uma vacina anti tetânica (já que era de graça); o meu braço doeu por uns cinco dias :).
         Seguro Carta Verde. Fui a uma agência do banco HSBC levando comigo os documentos do veículo e um comprovante de residência (necessário porque eu não sou correntista). Fui muito bem atendido pelo gerente e recebi a o Seguro Carta Verde na hora. Se o veículo não fosse meu, ou se estivesse alienado, seriam necessários outros documentos para que o mesmo pusesse sair do país.
         Teste dos equipamentos. Testamos os colchões infláveis. Dormi algumas noites neles. Em uma das noites o colchão murchou, mas foi por causa de um erro meu (uma das válvulas não estava colocada corretamente).
         Distribuição de tarefas. Para não haver mal entendidos durante a viagem, fizemos uma distribuição de tarefas. Foram distribuídas, entre os membros da equipe, as seguintes funções:

  1. Primeiro Piloto - dirige o carro e evita ser parado pela polícia rodoviária da Argentina (Gendarmeria Nacional Argentina).
  2. Segundo Piloto - controla o consumo de combustível e substitui o piloto quando necessário.
  3. Terceiro Piloto - substitui, quando necessário, o primeiro ou o segundo pilotos.
  4. Co-Piloto - verifica os mapas para indicar o caminho e as distâncias ao piloto.
  5. Fotógrafo - fotografa os melhores momentos da viagem.
  6. Tesoureiro - controla e anota os gastos e também faz o câmbio de moedas.
  7. Negociador - negocia valores para propinas, hospedagem, alimentação e passeios.
  8. Mediador - media os conflitos entre os membros da equipe.
  9. Registrador/escrevente - registra a viagem em um diário para posterior publicação.

         Autorização para a criança viajar com um dos pais. Mesmo que ambos os genitores acompanhem a criança nesta viagem, seria bom providenciar o documento. Na verdade seriam dois documentos: um onde o pai autoriza a mãe a viajar sozinha com a criança e o outro onde a mãe autoriza o pai a viajar sozinho com a criança. Caso um dos genitores esteja impossibilitado de retornar ao Brasil (morte, hospitalização, prisão,...) e não exista o documento, o outro encontrará dificuldades em retornar sozinho com a criança. Não fizemos este documento.
         Pagamento/agendamento das contas. Pagamos uma pilha de contas para não deixar nada atrasado e agendamos o pagamento das demais para serem pagas durante a nossa viagem. Que bom que a informática nos proporciona facilidades deste tipo :).
           Lugar para deixar os animais. Arranjamos pessoas para tomarem conta das nossas mascotes: a mimosa (gata) e a wicca (hamster).
         Dinheiro para levar. Infelizmente vivemos em um mundo materialista onde o dinheiro é necessário. Conseguimos alguns dólares e alguns pesos argentinos em uma casa de câmbio de Porto Alegre. Não levamos pesos chilenos e pesos uruguaios. Trocamos dólares (principalmente) e reais por essas moedas, quando foi necessário.
         Ítens de segurança para o carro. A legislação de trânsito da Argentina exige que os automóveis possuam um cambão e um estojo de primeiros socorros. A legislação de trânsiro do Chile exige que os automóveis tenham dois triângulos.

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A viagem

  1. 13/01/2008 - Domingo: de Porto Alegre até Uruguaiana

    Saimos às 08:15 de Porto Alegre. Apos três pedágios, um lanchinho e um almoço em São Gabriel, chegamos à Uruguaiana. Já havíamos reservado hotel. Conhecemos o centro da cidade, jantamos e fomos descansar para, no dia seguinte, sair do Brasil.

  2. 14/01/2008 - Segunda: de Uruguaiana até Roque S. Peña

    Após o café no hotel, atravesamos a ponte e fomos para a fila da alfândega argentina. No total, ficamos uma hora nas filas (alfândega, migração e polícia). Quando fomos liberados para circular pela Argentina (conseguimos nossos vistos para 90 dias), a primeira coisa que fizemos foi ir a Passo de Los Libres e comprar o cambão e o estojo de primeiros socorros. Começamos a rodar pelas estradas Argentinas (rutas 123 e 152). Retas enormes, estrada muito boa. Os campos argentinos são uma mistura dos campos do Rio Grande do Sul com o cerrado nordestino. A polícia rodoviária argentina nos parou logo nos primeiros 20 kms. Felizmente era apenas para nos dar alguns prospectos a respeito das regras do transito naquele país. Passamos por várias cidades, a maioria delas pequenas. Vimos vários rebanhos de gado e ovelha. Os pedágios são baratos se comparados com os nossos (menos de R$2,00 ao câmbio do dia). A gasolina argentina é mais barata e de melhor qualidade que a brasileira. O nordeste da Argentina lembra um pouco o nordeste brasileiro: embora houvesse muito verde, faltava água e o calor era insuportável. Passamos por Corrientes às 16:30 e por Resistência (ruta 16)às 17:00, onde fomos novamente parados pela polícia. Felizmente era apenas uma pesquisa para saber a origem e o destino dos turistas. Chegamos a Roque Saenz Peña no final do dia (aproximadamente às 19:00).
    Roque Saenz Peña é uma cidade onde é muito difícil dirigir um automóvel. Há milhares de motonetas nas ruas. Há motonetas de todos os tipos: feitas em casa, bicicletas com motores, compradas em lojas,... A maioria anda sem capacete (casco na linguagem deles). Famílias inteiras (mais o cachorro) andam em cima delas. Crianças andam em motonetas normalmente pelas ruas. Não há sinais de "pare" nas esquinas. As motonetas vêm às dezenas, como um enxame de abelhas e cercam os carros.
    Todos os hotéis da cidade tinham o mesmo preço. Assim decidimos ver o camping municipal. O camping era muito bom e gratuito, mas estava sem água. Optamos, então por passar a noite no Hotel Gualok. O calor era muito forte; o ar condicionado do hotel não conseguiu refrescar muito.

  3. 15/01/2008 - Terça: de Roque Saenz Peña até Salta

    Quando acordamos às 07:30 da manhã a temperatura já estava em 29 graus. Durante o café lemos o jornal do dia e vimos que o hotel onde estávamos era manchete. Tomamos nosso café e pegamos a estrada (ruta 16). A estrada continuava reta (uma reta de mais de 500 kms). Atropelei varias borboletas (havia milhares sobrevoando a estrada). Passamos por lugares de nomes interessantes como: Pampa del Infierno, Rio Muerto, Los Tigres,...
    Almoçamos em um restaurante na beira da estrada em Mato Quemado (nossa primeira Parilla).
    Quando a ruta 16 terminou passamos para a ruta 9; chegamos em Salta aproximadamente às 19:00 e fomos procurar um local para passar a noite. Optamos por ficar no Hostel La Cañada.

  4. 16/01/2008 - Quarta: passeio em Salta

    Durante a manhã visitamos o Cerro San Bernardo de onde é possível ter uma visão da cidade (ao fundo é possível ver o início da Cordilheira dos Andes). Neste cerro há também um interessante relógio de sombra, bondinho, lancheria e algumas lojas de artesanato.
    À tarde fomos conhecer o rio Baqueros. Não gostamos (achamos que tinha muito lixo). Voltamos para o centro onde, aproveitando o calor, tomei a famosa cerveja Salta. No final da tarde caiu uma pesada chuva.

  5. 17/01/2008 - Quinta: passeio em Cafayate

    Decidimos fazer o passeio de 190 Kms até Cafayate (ruta 68) para admirarmos a paisagem e conhecer algumas bodegas (Adegas de vinho). Este passeio não pode ser feito com chuva porque as estradas ficam interrompidas. O caminho para Cafayate ´ muito bonito. Há rios e montanhas lindos.
    A cidade de Cafayate é muito bonita. Como minha filha não estava passando bem, fomos ao hospital da cidade. Fomos muito bem atendidos (pagamos apenas 9 pesos pela consulta). O pediatra que nos atendeu receitou algum medicamento, repouso e hidratação. Com este contratempo, não houve tempo para visitas às vinícolas. O geito foi voltar para casa e aproveitar a paisagem de volta. Na volta, pudemos observar várias formações interessantes. Entre elas: Los Castilos (motanhas com a forma de castelos), montanhas enormes e coloridas.

  6. 18/01/2008 - Sexta: de Salta até Susques

    Saimos de Salta ás 09:00 e fomos em direção a JuJuy (rutas 9, 34 e 9 de novo). Após um almoço no caminho, chegamos a JuJuy. Segundo as Informações Turísticas tem muito para ser visto nesta região. Optamos por fazer um desvio de 60 km ao norte para abastecer e também para conhecer o lindo caminho para Humahuaca (ruta 9).
    Após abastecer o carro, retornamos ao caminho para Susques (ruta 52) e a altitude aumentou muito. A paisagem é muito bonita: vales,montanhas e mais vales.
    Depois de uma longa subida, onde o motor do carro aquece muito chega-se às Salinas Grandes. Ali, a 4.170 metros de altitude, o frio é intenso e tudo é feito de sal: o chão, os prédios, a lhama, a mesa,... Chegamos a Susques, como previsto, no final do dia.
    Susques é uma cidade com pouca vegetação e empoeirada . Muitas casas são feitas de barro. Encontramos uma pousada, jantamos, acessamos a Internet e dormimos. Devido a altitude, todos passamos mal a noite.

  7. 19/01/2008 - Sábado: de Susques até San Pedro de Atacama

    Seguimos para a fronteira com o Chile (ruta 52) pela manhã. A paisagem continuou muito bonita. Vimos vários rebanhos de lhamas pelo caminho. Chegamos ao passo Jama e fizemos a documentação para sairmos da Argentina.
    Passamos a fronteira e entramos no Chile. A paisagem , que já era linda melhorou mais ainda! Vimos picos nevados, mais lhamas e a característica de deserto foi se acentuando.
    Chegamos a San Pedro de Atacama e fizemos a documentação para circular pelo Chile. Pesquisamos os preços e decidimos ficar no hostel La Estancia (simples por fora mas muito aconchegante por dentro, como a maioria dos estabelecimentos no Atacama). Fomos até o centro e trocamos alguns dólares por pesos chilenos ao câmbio de 1 dólar para cada 475 pesos chilenos.

  8. 20/01/2008 - Domingo: passeio pelos arredores de San Pedro do Atacama

    Pela manhã visitamos o Valle de la Muerte, as Ruinas de Tulor e tentamos ir até Pucara de Quitor, mas o Rio estava bloqueando a passagem. Pudemos, no entanto, observar o árduo trabalho dos pastores para fazer o rebanho de ovelhas e cabras artravessar o rio.
    À tarde fomos visitar as Termas de Puritama. Neste vale corre uma água quente (34 graus) que é aquecida por um vulcão. O banho nestas águas tem propriedades medicinais. A água tem um forte cheiro de enxofre e a temperatura ambiente era de aproximadamente 10 graus. No caminho vimos cactus de vários tipos. Não sobrou tempo para o passeio ao Vale de La Luna.

  9. 21/01/2008 - Segunda: passeio pelos arredores de San Pedro do Atacama

    Pela manhã visitamos o Salar de Atacama (ruta 23). É uma imensidão de cristais de sal. São 100 kms de comprimento por 50kms de largura. No meio do sal há um lago onde podem ser vistas várias espécies de pássaros.
    À tarde fomos visitar o centro de San Pedro de Atacama e acessar a Internet.
    À noite fomos visitar o Valle de La Luna onde as pessoas sobem em uma duna para observar o pôr do sol.

  10. 22/01/2008 - Terça: de San Pedro do Atacama até Taltal

    Ainda havia muita coisa para ser vista em San Pedro do Atacama, mas tínhamos que ir em frente. Seguimos para o noroeste (ruta 23). O deserto continuava. Almoçamos em Calama, o ponto mais ao norte de nossa viagem, onde mudamos para a ruta 25 e depois para a ruta 5. Passamos por um campo onde vimos vários mini tornados, cruzamos o trópico de capricórnio e chegamos a Antofagasta. Avistamos pela primeira vez o Oceano Pacífico. Antofagasta é uma cidade bonita (mar de um lado e deserto do outro), mas os preços não são nada pacíficos. O trânsito em Antofagasta é estressante. Decidimos não ficar nesta cidade e rumar para o sul. Andamos 277 kms para o sul, passamos pela Mano del Deserto e descobrimos a linda cidade de Taltal. Já era noite e não havia vagas nos hotéis/hostels/pousadas/... A solução foi procurar um camping, armar as barracas, jantar e descansar para o dia seguinte. Ficamos em um camping público, a alguns metros da praia, e que, embora gratuito, tinha uma infra-estrutura muito boa.

  11. 23/01/2008 - Quarta: de Taltal até Caldera

    A praia de Taltal é formada por conchinhas e não por areia. Aproveitei para pegar uma concha maior. A praia era agradável mas a água estava muito fria. Compramos algumas frutas (muito barato) e seguimos mais para o sul (ruta 5). A linda paisagem de deserto continuou. De vez em quando avistávamos o Pacífico. Vimos também alguns leões marinhos.
    No fim do dia, após passarmos por Chañaral, chegamos a Caldera. Alugamos uma casa bem discreta, conhecemos o centro, jantamos e fomos dormir.

  12. 24/01/2008 - Quinta: passeio em Bahia Inglesa.

    A praia de Caldera não é muito frequentada. As pessoas preferem a vizinha Bahia Inglesa. Mesmo assim, só uns poucos corajosos enfrentam a água gelada. Fomos a Bahia Inglesa pela manhã e à tarde.

  13. 25/01/2008 - Sexta: de Caldera até Coquimbo

    Saimos de Caldera pela manhã e continuamos indo para o sul (ruta 5). O deserto continuava. Aos poucos a paisagem vai mudando e alguns cactus já começam a aparecer. De vez em quando, podíamos ver o Pacífico.Passamos por Copiapó e chegamos à La Serena às 17:00. Achamos que La Serena, embora muito bonita, era uma cidade grande demais. Andamos mais uns 10 kms e chegamos a Coquimbo. Como era temporada de praia, não havia vagas nos locais de hospedagem. Encontramos um camping e, após montar as barracas, passeamos na praia, jantamos e fomos descansar.

  14. 26/01/2008 - Sábado: de Coquimbo até Panquehue

    Saimos do camping às 10:00 e retomamos a estrada para o sul (ruta 5). Tivemos a nossa última visão do Pacífico e saimos da ruta 5 em Liayliay. Fomos para o leste (ruta 60) com o objetivo de passarmos a noite em Los Andes. As primeiras árvores começam aparecer.
    Quando faltavam poucos kms para a nossa cota de kms do dia, passamos por um camping - Las Vertientes del Mirador - com boa infra-estrutura e decidimos armar as barracas e passar a noite ali. Antes de jantar ainda esperimentamos as piscinas frias do camping. Estávamos em Panquehue, uns 40 kms antes de Los Andes.
    Obs.: neste dia pagamos três pedágios, os únicos que pagamos no Chile.

  15. 27/01/2008 - Domingo: de Panquehue até Mendoza

    Saimos de Panquehue às 10:00 e fomos para leste na direção da Argentina. Chegamos a Los Andes onde tomamos o café da manhã no hipermercado Jumbo. Neste hipermercado também há uma casa de câmbio onde trocamos os pesos chilenos por pesos argentinos.
    Seguimos para leste. A paisagem era muito bonita. Tomamos água proveniene do degelo dos Andes e passamos pelos caracóis chilenos. Atravessamos o túnel Cristo Redentor e chegamos na Argentina. Vimos o Aconcágua, ficamos uma hora e meia na alfândega e seguimos vendo montanhas, túneis, vales e rios até chegarmos a Mendoza. Ficamos no Hostal Los Andes, jantamos e fomos descansar. Não visitamos Mendoza.

  16. 28/01/2008 - Segunda: de Mendoza até Sampacho

    Continuamos indo para o leste (ruta 7). Almoçamos em San Luis. À tarde continuamos rodando. Passamos por Vila Mercedes, mudamos para a ruta 8, e paramos em Sampacho. Ficamos em um hotel familiar perto das piscinas da cidade (que eram gratuitas). Aproveitamos bastante as piscinas e jantamos uma parilla.

  17. 29/01/2008 - Terça: de Sampacho até Vilaguay

    Acordamos cedo, tomamos um bom café no hotel e seguimos pela ruta 8 até Rio Quarto. Tomamos a ruta 158 e passamos por Va. Maria e San Francisco. Alteramos para a ruta 19 e fomos até Santa Fé, onde passamos pelo túnel sub fluvial e chegamos a cidade de Paraná. Então, pela ruta 18, fomos até Vilaguay, onde jantamos e passamos a noite no hotel El Lucero. Foi neste dia que o meu talento foi reconhecido :)

  18. 30/01/2008 - Quarta: de Vilaguay até San José

    Decidimos tirar um dia para descansar. Saimos do nosso caminho, atravessamos a cidade de Vilaguay e fomos passar o dia nas Termas de Vila Elisa. São várias piscinas cujas temperaturas da água variam entre 35 e 41 graus.
    No final do dia andamos um pouco e passamos a noite em um hotel na cidade de San José (perto da fronteira com o Uruguai).

  19. 31/01/2008 - Quinta: de San José até Tacuarembó

    Acordamos, tomamos café, abastecemos o carro e atravessamos a ponte que separa a Argentina do Uruguai. Ficamos uma hora e meia na Aduana e, quando liberados, fomos até a cidade de Paysandu para trocar pesos argentinos e dólares por pesos uruguaios (e almoçar uma comida boa e barata). Depois do almoço seguimos até Tacuarembó, no centro do Uruguai, onde passamos a noite no Hotel Central.

  20. 01/02/2008 - Sexta: de Tacuarembó até Porto Alegre

    Acordamos cedo e seguimos em direção ao Brasil. Paramos em Rivera onde passamos pela alfândega uruguaia; depois gastamos o resto do dinheiro que tínhamos. Chegamos em Porto Alegre às 23:00.

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Custos

         Lembre-se de que os custos aqui listados referem-se às despesas relativas à viagem de quatro pessoas: três adultos e uma criança (8 anos). O carro (motor 1.4) utiliza gasolina como combustível. Bom, vamos à lista:

  1. Renovação de três carteiras de identidade -> 3 x R$ 35,00 = R$105,00.
  2. Permissão Internacional para Dirigir -> 2 x R$ 32,00 = R$64,00.
  3. Barraca de camping para quatro pessoas, lona e lanterna -> R$345,00.
  4. Colchões infláveis -> R$125,00.
  5. Mapas -> R$100,00
  6. Seguro Carta Verde (Seguro + IOF; U$68,16 + U$4,77 = U$72,93) -> R$ 128,35
  7. Segundo triângulo -> R$8.00
  8. Cambão ->R$17,00 (comprado em Passo de Los Libres por 24 pesos).
  9. Estojo de primeiros socorros ->R$12,00 (comprado em Passo de Los Libres por 16 pesos).
  10. Demais custos (combustível, alimentação, hospedagem,... ->R$5.000,00.
  11. Total (aproximado) gasto na viagem ->R$ 6.000,00 ou U$3.000,00

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Dicas

  1. Troque reais por pesos argentinos no Brasil (em Porto Alegre no nosso caso). Se você deixar para trocar na Argentina a diferença pode ser de até 100%.
  2. Evite viajar para países do Mercosul durante os meses de Janeiro e Fevereiro.
  3. Não viaje sem o Seguro Carta Verde.

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Galerias de fotos da viagem


          1 => Fotos tiradas na Argentina durante a ida para o Chile - janeiro de 2008 - 126 fotos.

          2 => Fotos tiradas na Argentina durante a ida para o Chile - janeiro de 2008 - 116 fotos (fotos tiradas pela co-piloto).

          3 => Fotos tiradas no Chile - janeiro de 2008 - 205 fotos.

          4 => Fotos tiradas no Chile - janeiro de 2008 - 132 fotos (fotos tiradas pela co-piloto).

          5 => Fotos tiradas na Argentina durante a volta do Chile - janeiro de 2008 - 59 fotos.

          6 => Fotos tiradas na Argentina durante a volta do Chile - janeiro de 2008 - 24 fotos (fotos tiradas pela co-piloto).

          7 => Fotos tiradas no Uruguai durante a volta do Chile - janeiro de 2008 - 5 fotos.

Obs.: caso você esteja interessado em saber mais detalhes sobre alguma das fotos deste site, favor enviar e-mail para vanderlei@pollon.org.

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Considerações finais sobre a viagem

          Todas as pessoas com que interagimos foram muito atenciosas e prestativas: forneciam informações detalhadas, explicavam os costumes e tradições, sugeriam roteiros e pontos turísticos, etc.
         Não fomos parados nenhuma vez pela Polícia Rodoviária (em nenhum dos quatro países). Aliás, nós é que pedimos informaçõs aos policiais rodoviários (várias vezes, na Argentina, no Chile e no Uruguai). Falando em rodovia, os pedágios da Argentina são mais baratos que os do Brasil e, os do Chile, um pouco mais caros. As estradas dos países vizinhos pelas quais passamos eram muito boas, bem sinalizadas e a velocidade máxima permitida, maior que a do Brasil. Percebemos também que o número de veículos que circulava nessas estradas era baixo, se comparado às estradas brasileiras.
         A alimentação no Chile é de boa qualidade e os preços não são muito superiores aos do Brasil. Os pratos típicos chilenos são sempre uma boa opção. No Uruguai a alimentação é muito boa e os preços também.
         Seriam necessários alguns dias a mais de viagem para que pudéssemos conhecer um pouco mais os locais pelos quais passamos: mais dois dias para Salta, mais um dia para Jujuy, mais dois dias para o Atacama e mais um dia, pelo menos, para Mendoza.
         Sair do país e conhecer outros lugares, povos e culturas é sempre muito bom. Há, no entanto, algo que eu considero como sendo o maior prêmio que eu poderia ter obtido por passar 20 dias fora do Brasil durante o verão: passei 20 dias sem ouvir falar em BBB.

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